sábado, 18 de junho de 2011

um reencontro: Bahia e Minas

J. Veloso, baiano que se emociona ao cantar em Mucugê depois de se apresentar em Paris, agora vai a fontes das Minas Gerais, tanto para delas beber como para enriquecê-las. Ao lado do mineiro D’Black, tornou-se padrinho do Programa Vozes do Morro, que divulga a cultura da periferia de Belo Horizonte. Entra num time em que já figuram, como padrinhos nos anos anteriores, Fernanda Tokai, Flávio Venturini, Samuel Rosa, Rogério Flausino, Vander Lee, Lô Borges, Renegado, Tianastácia, André Valadão e Victor e Leo.

Ele canta no programa no próximo 14 de agosto. Enquanto isto, ao lado da produtora cultural baiana Luzia Moraes, troca idéias com o mineiro Cris do Morro, coordenador do “Vozes” e da Assessoria para Assuntos de Vilas e Favelas do governo mineiro (governo tucano, mas, Deus nos livre dos preconceitos!).

Luzia traduz bem o potencial desta aproximação, frisando que “a ideia pode unir a tradição e a música de Minas e Bahia”. Tudo a ver. A Bahia é a mais antiga matriz cultural brasileira. Minas, graças à mineração do ouro e de diamantes, foi o primeiro ponto de convergência dos brasis dos tempos coloniais, onde se encontraram, se enfrentaram, se amaram e fundiram os povos do nordeste (especialmente os baianos), os reinóis cariocas e os caipiras paulistas, além de negros trazidos de regiões da África onde se conheciam as artes e os ofícios da mineração e da metalurgia.

Aqui estamos falando essencialmente de um encontro ainda mais particular: da cultura da periferia urbana mineira, carregada de crueza, rebeldia e contestação, com a riqueza da cultura baiana, mais leve e sempre com o misticismo à flor da pele. Parecem mundos muito diferentes, mas tem raízes comuns. O diálogo entre elas, portanto, não será tão difícil. Pelo contrário, como costuma acontecer aos diálogos, será certamente também produtivo, prazeroso e surpreendente.
fONTE: SITE HOMEM ARARA

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