Recrutado por bancos, exército do crédito toma favelas
Complexo do Alemão
Há pouco mais de três meses, 20 jovens com idade entre 18 e 22 anos circulam pelas ruas do Complexo do Alemão, zona norte do Rio, oferecendo crédito aos empreendedores da comunidade. Hoje pacificado e com soldados do Exército pelas ruas, o conjunto de favelas era um dos mais violentos da cidade e completamente dominado pelo tráfico até dezembro de 2010.
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A região foi pioneira em um projeto da Caixa Econômica Federal para transformar jovens aprendizes em agentes de microcrédito. Moradores das próprias comunidades onde atuam, os Diariamente, desde setembro do ano passado, eles saem pelas ruas do complexo, conversam com pequenos empreendedores e oferecem a possibilidade de um empréstimo de até R$ 15 mil com juros atrativos de 0,64% ao mês.
Os empréstimos podem variar de R$ 300 a R$ 15 mil, e podem ser pagos em 4 a 24 parcelas mensais. Os juros são de 0,64% ao mês, mais Taxa de Abertura de Crédito de 1% do valor do empréstimo.
O Itaú Unibanco também tem agentes de microcrédito em comunidades como Rocinha e Complexo do Alemão. Os empréstimos podem variar de R$ 400 a R$ 14 mil, pagos em 4 a 18 parcelas. A taxa de juros varia de acordo com o valor e outras condições, e é de no máximo 4% ao mês.
A equipe da Caixa no Alemão é comandada pelo supervisor Bruno Fraga Ferreira, que orienta o trabalho dos jovens – a maioria, mulheres. Ele explica que os candidatos ao crédito não precisam ser empreendedores formais. “Por isso é importante a presença de jovens da própria comunidade, eles conhecem os empreendedores”, afirma Ferreira. O crédito deve ser destinado ao empreendimento, e não a gastos pessoais.
Bruno Fraga Ferreira orienta agentes de microcrédito
Desde que o projeto começou, em setembro, já foram fechados 117 contratos, que somam R$ 455 mil, somente no Complexo do Alemão, segundo levantamento de Ferreira na agência da Caixa no Complexo do Alemão.
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Esses empréstimos foram vendidos por jovens como Michelle Barros da Costa, de 21 anos. Para ela, uma das vantagens do emprego é trabalhar perto de casa. Nestes primeiros meses de trabalho, ela até já foi sondada pela concorrência. “Fui convidada para trabalhar no Santander daqui do Alemão, mas não aceitei porque queria ter mais experiência na Caixa”, afirma.
Ela se orgulha de ter feito um empréstimo a um cliente que trabalhava em uma pizzaria e queria abrir o negócio próprio. “Ele já tinha comprado uma refresqueira e um forno, mas precisava de mais um forno e fazer uma reforma no imóvel. Com o crédito ele conseguiu, e hoje já tem outras pessoas trabalhando para ele”, diz.
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Entre as funções dos agentes está acompanhar mensalmente os clientes que tomaram empréstimos. Foi assim que Fernanda Caroline dos Santos, de 19 anos, viu a mercearia de uma empreendedora passar por uma reforma e ser dividida, para abrir espaço a um ateliê de costura. “Ela tinha a mercearia, que ainda estava no tijolo e precisava de uma pintura, mas também era costureira. Com o crédito, ela abriu um ateliê de costura e aumentou sua renda”, diz a jovem. Para ela, que é tímida, trabalhar perto de casa ajuda a quebrar o gelo porque a deixa mais à vontade ao oferecer crédito para pessoas conhecidas. “Ganho mais segurança para oferecer crédito a outros empreendedores”, diz.
Fernanda afirma que a parte mais difícil do trabalho é “convencer as pessoas de que empréstimo não é um bicho de sete cabeças”. Para superar essa dificuldade, a agente diz que a solução é mostrar simulações. “Dá para mostrar para eles que é possível pagar o empréstimo e que, em vez de problema, ele pode ser uma ajuda”, afirma a jovem.
A capacitação para fazer simulações e cálculos do valor do crédito a ser concedido foi a principal dificuldade enfrentada por Alexandra Queiroz de Lima, de 22 anos, ao entrar no programa. “No começo foi muito difícil, mas agora eu faço até de cabeça”, orgulha-se.
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Ao começar no programa, ela já tinha trabalhado em supermercados e escritórios e gostava mesmo de trabalhos internos. “Eu não gostava de ficar na rua, mas estava precisando do salário e aceitei o emprego”, diz. Hoje, bater de porta em porta é a parte do trabalho de que Alexandra mais gosta. “Eu gosto de conhecer gente nova e ir a lugares diferentes”, afirma.
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Alexandra diz que, em suas andanças pela comunidade, nota que quase todos os comerciantes do complexo precisam de algum tipo de crédito, seja para compor estoque ou para fazer uma reforma em seu estabelecimento.
Para o futuro, ela planeja cursar psicologia – mas não pretende mudar de empregador. “A Caixa também tem psicólogos”, diz.
Alexandra acredita que muitos comerciantes do Complexo do Alemão precisam de microcrédito
Permanecer no banco estatal também está nos planos de Ingrid Bezerra de Brito Camargo, de 19 anos, que viu no projeto da Caixa sua primeira oportunidade de emprego: quando o contrato para ser agente de microcrédito terminar, ela pretende prestar concurso para trabalhar na instituição.
Trabalhar em banco não passava pela sua cabeça antes dessa oportunidade, mas Ingrid se encontrou no trabalho. “Eu tenho motivação, gosto de conversar, de conhecer gente nova e de ajudar as pessoas”, diz. Para ela, a maior dificuldade no seu trabalho é explicar a um empreendedor que nem sempre pegar um empréstimo de valor mais alto é a melhor escolha. “Eu explico que um valor menor pode ajudar mais, porque ele vai poder pagar o empréstimo e depois até fazer outro”, diz. Segundo ela, com o tempo, está mais fácil fazer novos contratos. “Hoje o microcrédito é mais conhecido na comunidade, e muitas vezes os comerciantes é que nos procuram”, diz.
Depois de instalado no Complexo do Alemão, o projeto já foi levado também a Campo Grande e ao bairro do Fonseca, em Niterói. A Caixa também deslocou seis jovens para darem início ao projeto na Rocinha e já abriu seleção para que mais 20 jovens moradores da comunidade sejam contratados para trabalharem na região. Incluindo os jovens da Rocinha, a Caixa prevê a contratação de 100 agentes para trabalhar em outras localidades, como Ilha do Governador, Santa Cruz, Bangu e região da Tijuca, além dos municípios de São Gonçalo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu.
Os jovens são contratados em parceria com o Centro Salesiano do Menor (Cesam), no qual fazem uma parte de seu treinamento.
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Governo cria Rede Mineira de Microcrédito e incentiva geração de emprego e renda
BELO HORIZONTE (25/11/11) - Para estimular o desenvolvimento dos pequenos e médios empreendedores mineiros, o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Trabalho e Emprego (SETE), criou a Rede Mineira de Microcrédito. A rede tem como objetivo potencializar as ações do Governo de Minas voltadas para a geração de emprego e renda, em parceria com instituições do setor privado, organizações de classe e sociedade civil. Essas parcerias concretizam ações de concessão de empréstimos às pessoas de baixa renda, ofertando aos empreendedores a emancipação produtiva, financeira e social.
“O microcrédito mudou minha vida. Desde os 5 anos eu trabalho com artesanato com a minha mãe que era artesã e foi quem me ensinou a fazer crochê. Com o microcrédito eu consegui expandir meu negócio. Sempre tive medo de empréstimos, mas a taxa de juros do microcrédito é muito baixa e isso facilita muito. Já vou para meu segundo crédito tomado junto ao banco que está dentro da Rede de Microcrédito e ainda pretendo, futuramente, abrir uma loja para que eu possa vender meus produtos de cama, mesa, banho e vestuário”, afirma Lúcia Carlini Magnato, 48 anos, uma das beneficiadas pela Rede Mineira de Microcrédito.
Além do acesso a créditos, de R$ 100 a R$ 15 mil, a juros baixos, a partir de 0,64% ao mês, a Rede Mineira de Microcrédito ajuda os empreendedores a gerir os negócios e torná-los mais rentáveis. A criação e implantação de redes de fomento à geração de emprego e renda é um dos compromissos assumidos pelo governador Antonio Anastasia.
Integrante da Associação de Mulheres Empreendedoras da Vila Pinho, Lúcia conheceu a Rede Mineira de Microcrédito durante uma palestra realizada pela SETE, por meio da Diretoria de Gestão de Programas de Microcrédito, e entidades parceiras, na Vila Pinho, comunidade onde mora, em Belo Horizonte. Hoje, além de ser beneficiária do projeto, ela é uma das divulgadoras.
Para o secretário de Estado de Trabalho e Emprego, Carlos Pimenta, a SETE, que é uma das incumbidas do projeto de combate à miséria, tem o dever de, além de intermediar empregos, articular o projeto do microcrédito, pois isso ajuda na geração de renda de muitas famílias. “Quando se leva crédito aos empreendedores para expandirem seus negócios, gera-se renda e, consequentemente, melhora-se a condição de vida da população. Ainda estamos engatinhando no processo de microcrédito, mas vamos trabalhar muito para que Minas possa estar no mesmo patamar dos outros estados que já atuam com o programa há mais tempo”, declarou.
Rede Mineira do Microcrédito
A atuação da Secretaria de Estado de Trabalho e Emprego se dá na coordenação da Rede Mineira de Microcrédito e na articulação de uma ação conjunta entre o Governo, o BDMG e as prefeituras mineiras com o objetivo de facilitar o acesso ao microcrédito.
Com vistas ao sucesso das ações focadas no microcrédito produtivo com benefícios sociais para os tomadores dos recursos, a SETE, junto aos parceiros, tem se esforçado para criar o ambiente propício para o desenvolvimento do microcrédito em Minas Gerais, por meio da organização do setor, otimizando e potencializando o número de contratos e os resultados sociais, gerando mais renda e empregos de qualidade para a população.
Os interessados em ter acesso às informações sobre o microcrédito devem entrar em contato com a Diretoria de Gestão de Programas de Microcrédito pelo telefone (31) 3916-9148.
fonte:
“O microcrédito mudou minha vida. Desde os 5 anos eu trabalho com artesanato com a minha mãe que era artesã e foi quem me ensinou a fazer crochê. Com o microcrédito eu consegui expandir meu negócio. Sempre tive medo de empréstimos, mas a taxa de juros do microcrédito é muito baixa e isso facilita muito. Já vou para meu segundo crédito tomado junto ao banco que está dentro da Rede de Microcrédito e ainda pretendo, futuramente, abrir uma loja para que eu possa vender meus produtos de cama, mesa, banho e vestuário”, afirma Lúcia Carlini Magnato, 48 anos, uma das beneficiadas pela Rede Mineira de Microcrédito.
Além do acesso a créditos, de R$ 100 a R$ 15 mil, a juros baixos, a partir de 0,64% ao mês, a Rede Mineira de Microcrédito ajuda os empreendedores a gerir os negócios e torná-los mais rentáveis. A criação e implantação de redes de fomento à geração de emprego e renda é um dos compromissos assumidos pelo governador Antonio Anastasia.
Integrante da Associação de Mulheres Empreendedoras da Vila Pinho, Lúcia conheceu a Rede Mineira de Microcrédito durante uma palestra realizada pela SETE, por meio da Diretoria de Gestão de Programas de Microcrédito, e entidades parceiras, na Vila Pinho, comunidade onde mora, em Belo Horizonte. Hoje, além de ser beneficiária do projeto, ela é uma das divulgadoras.
Para o secretário de Estado de Trabalho e Emprego, Carlos Pimenta, a SETE, que é uma das incumbidas do projeto de combate à miséria, tem o dever de, além de intermediar empregos, articular o projeto do microcrédito, pois isso ajuda na geração de renda de muitas famílias. “Quando se leva crédito aos empreendedores para expandirem seus negócios, gera-se renda e, consequentemente, melhora-se a condição de vida da população. Ainda estamos engatinhando no processo de microcrédito, mas vamos trabalhar muito para que Minas possa estar no mesmo patamar dos outros estados que já atuam com o programa há mais tempo”, declarou.
Rede Mineira do Microcrédito
A atuação da Secretaria de Estado de Trabalho e Emprego se dá na coordenação da Rede Mineira de Microcrédito e na articulação de uma ação conjunta entre o Governo, o BDMG e as prefeituras mineiras com o objetivo de facilitar o acesso ao microcrédito.
Com vistas ao sucesso das ações focadas no microcrédito produtivo com benefícios sociais para os tomadores dos recursos, a SETE, junto aos parceiros, tem se esforçado para criar o ambiente propício para o desenvolvimento do microcrédito em Minas Gerais, por meio da organização do setor, otimizando e potencializando o número de contratos e os resultados sociais, gerando mais renda e empregos de qualidade para a população.
Os interessados em ter acesso às informações sobre o microcrédito devem entrar em contato com a Diretoria de Gestão de Programas de Microcrédito pelo telefone (31) 3916-9148.
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